Límpido ar que envolve a poeira
derretendo os granulados de pó
fazendo tudo estar submerso
Eu estou submersa como
uma fada encantada neste
bosque de ácaros e leituras
Brilhando, brilhando, a poluição
que faz o espirro sair voando
e atingir o chão lustrado
onde pisam as senhoras com suas
[pérolas
(poesia é escarro [no] luxuoso)
quarta-feira, 4 de julho de 2007
quarta-feira, 20 de junho de 2007
Todos os dias, todas as manhãs,
todas as horas, tardes, noites.
Deparo-me com a imagem do espelho.
Imagem confusa, desfocada.
E quantos não a julgam, não a
querem massacrar com as suas
fôrmas, tintas, marcas, drogas.
Fazendo-a mais clara, sintética.
Eu a prefiro naturalmente opaca.
Dentro de sua naturalidade máxima.
Dentro do que é, do que vai ser.
Dentro do que sempre foi.
Mas o mundo, "vasto mundo",
deseja que todo espelho reflita
a mesma pintura. E que retrate
a mesma escultura.
E quando assim não é,
quebra-se o espelho. Rasga-se
a carne. E deixa-se o sangue
esvair pelos pulsos da distinção.
todas as horas, tardes, noites.
Deparo-me com a imagem do espelho.
Imagem confusa, desfocada.
E quantos não a julgam, não a
querem massacrar com as suas
fôrmas, tintas, marcas, drogas.
Fazendo-a mais clara, sintética.
Eu a prefiro naturalmente opaca.
Dentro de sua naturalidade máxima.
Dentro do que é, do que vai ser.
Dentro do que sempre foi.
Mas o mundo, "vasto mundo",
deseja que todo espelho reflita
a mesma pintura. E que retrate
a mesma escultura.
E quando assim não é,
quebra-se o espelho. Rasga-se
a carne. E deixa-se o sangue
esvair pelos pulsos da distinção.
reading the red
No vasto silêncio da salasenti o poder do eterno
olhando para aquele vermelho
tom de tomate fresco e maduro.
Senti o ácido escorrer pela garganta,
bater no estômago e quase voltar.
Senti a boca amarga, seca;
a saliva espessa debaixo da língua.
E fui tomada pelo cítrico que
se dissolve através dos anos
- muito antes de conhecê-lo,
muito antes de apreciá-lo.
quinta-feira, 14 de junho de 2007
ponho em mim a voz
Não que seja um blog de poesias (eu não tenho essa pretensão). Digo que seja um lugar de experimentação imagística visando um - talvez - futuro alcance na categoria poética.
É um registro e uma divulgação da minha experiência pessoal com a linguagem. Da minha evolução com ela. Do processo criativo expandindo suas possibilidades de acordo com as minhas mudanças - tanto pessoais como em nível de leitura.
Portanto, que fique claro que não tenho a menor intenção de dizer que sou poeta. É somente um espaço para ludismo e para a coisa séria ao mesmo tempo. E sempre buscando isso com palavras, imagens e, quem sabe um dia, sons. (mas prefiro o silêncio)
É um registro e uma divulgação da minha experiência pessoal com a linguagem. Da minha evolução com ela. Do processo criativo expandindo suas possibilidades de acordo com as minhas mudanças - tanto pessoais como em nível de leitura.
Portanto, que fique claro que não tenho a menor intenção de dizer que sou poeta. É somente um espaço para ludismo e para a coisa séria ao mesmo tempo. E sempre buscando isso com palavras, imagens e, quem sabe um dia, sons. (mas prefiro o silêncio)
quarta-feira, 16 de maio de 2007
a.
Eu viro as folhas
daquele dicionário
velho e encardido
pelos dias e anos
nos quais
vem existindo
As palavras negras
passam rapidamente
- como insetos adormecidos
fincados nas páginas -
pelos meus olhos vívidos e
ansiosos pela resposta
(mas eu não a encontro)
Uma perturbação mental,
um desespero me faz corrê-las
pacientemente
buscando os vocábulos
sinonímios a esta imagem
específica
(fracasso)
Não há,
ela se encerra em si -
esta palavra-mistério
que todos nós
compreendemos
mas não dizemos
de outra forma,
a não ser esta:
gasta, poída e,
ainda assim,
preciosa.
daquele dicionário
velho e encardido
pelos dias e anos
nos quais
vem existindo
As palavras negras
passam rapidamente
- como insetos adormecidos
fincados nas páginas -
pelos meus olhos vívidos e
ansiosos pela resposta
(mas eu não a encontro)
Uma perturbação mental,
um desespero me faz corrê-las
pacientemente
buscando os vocábulos
sinonímios a esta imagem
específica
(fracasso)
Não há,
ela se encerra em si -
esta palavra-mistério
que todos nós
compreendemos
mas não dizemos
de outra forma,
a não ser esta:
gasta, poída e,
ainda assim,
preciosa.
sábado, 28 de abril de 2007
novos tempos
A chuva caía
e o vento forte
fazia ondas no ar
- revelando-se
através dos pingos
gelados e descontrolados:
era o inverno
brigando com o verão
que não quer mais
se despedir
e o vento forte
fazia ondas no ar
- revelando-se
através dos pingos
gelados e descontrolados:
era o inverno
brigando com o verão
que não quer mais
se despedir
terça-feira, 24 de abril de 2007
segunda-feira, 23 de abril de 2007
cogumelo atômico
O pingo
d'água
caindo
sobre
a poça e
misturando-se
à lama,
produzindo
simultâneas
ondas
como uma
explosão
nuclear.
(uma micro-catástrofe)
d'água
caindo
sobre
a poça e
misturando-se
à lama,
produzindo
simultâneas
ondas
como uma
explosão
nuclear.
(uma micro-catástrofe)
sábado, 7 de abril de 2007
quinta-feira, 5 de abril de 2007
tênue
que sentimento
contraditório
é esse
que bate na gente
quando se sente
o calor fazendo suar
e a emoção arrepiar?
contraditório
é esse
que bate na gente
quando se sente
o calor fazendo suar
e a emoção arrepiar?
quarta-feira, 4 de abril de 2007
Um minuto
O suor está na minhas mãos
assim como o sereno sobre os carros
em uma manhã de inverno
após uma noite fria e úmida.
Calafrios, confusões mentais
os olhos percorrendo o ambiente
de forma a não entender nada.
Somente imagens, cores.
Os significados somem,
esvai-se a essência.
Há um desespero,
um medo do não-sentir.
E eu não sinto,
por um momento infindo.
assim como o sereno sobre os carros
em uma manhã de inverno
após uma noite fria e úmida.
Calafrios, confusões mentais
os olhos percorrendo o ambiente
de forma a não entender nada.
Somente imagens, cores.
Os significados somem,
esvai-se a essência.
Há um desespero,
um medo do não-sentir.
E eu não sinto,
por um momento infindo.
à carioca
Je te vois
na padaria
da esquina
tomando pingado
e ouvindo jazz
no ême-pê-
três
enquanto
te comparo
com qualquer coisa
melhor que um
burguês
na padaria
da esquina
tomando pingado
e ouvindo jazz
no ême-pê-
três
enquanto
te comparo
com qualquer coisa
melhor que um
burguês
terça-feira, 3 de abril de 2007
paris desvairada
O chão avermelhado,
a poeira que sobe.
Gritos, serpentes
que vivem.
O caos se instaura
a flor morre
nenhuma nasce.
No asfalto não
nasce mais flor
só dor.
Rio de Janeiro
em cor -
não mais da boemia
da alegria do carnaval -
mas do vermelho
da morte.
a poeira que sobe.
Gritos, serpentes
que vivem.
O caos se instaura
a flor morre
nenhuma nasce.
No asfalto não
nasce mais flor
só dor.
Rio de Janeiro
em cor -
não mais da boemia
da alegria do carnaval -
mas do vermelho
da morte.
segunda-feira, 2 de abril de 2007
aquecimentoglobal
chorar
é tão necessário
quanto beber água.
só que o contrário:
como se a sede
de beber água
fosse a necessidade
de um preenchimento.
chorar
é a necessidade
de esvaziar um pouco...
(é para saciar a sede do mundo)
é tão necessário
quanto beber água.
só que o contrário:
como se a sede
de beber água
fosse a necessidade
de um preenchimento.
chorar
é a necessidade
de esvaziar um pouco...
(é para saciar a sede do mundo)
urbanóide
Do topo do prédio
vi a poeira cair da marquise e
voar pelos ventos
do pseudo-inverno urbano
do rio de janeiro.
Em um chuá ele levou
o pó pelos ares,
dissolvendo aquele pedaço de construção,
e fazendo-a sumir no mundo.
Então eu pude ver
- a concreta -
representação da liberdade.
vi a poeira cair da marquise e
voar pelos ventos
do pseudo-inverno urbano
do rio de janeiro.
Em um chuá ele levou
o pó pelos ares,
dissolvendo aquele pedaço de construção,
e fazendo-a sumir no mundo.
Então eu pude ver
- a concreta -
representação da liberdade.
mcbeth
Do salão principal
da ópera que eu nunca fui
eu vejo a luz sobre o palco.
E em cima dele, uma margarida
cai
direto do teto
e se esparrama no chão de madeira
empoeirado pelo tempo.
Então eu olho pra cima e não vejo nada
- percebendo que sei sonhar.
da ópera que eu nunca fui
eu vejo a luz sobre o palco.
E em cima dele, uma margarida
cai
direto do teto
e se esparrama no chão de madeira
empoeirado pelo tempo.
Então eu olho pra cima e não vejo nada
- percebendo que sei sonhar.
vice-versa
Eu te envio mil eu-te-amos
digitalizados pelo aparelho
de comunicar portátil.
E então as palavrinhas
se propagam pelo ar
fazendo as pessoas as
observarem como se fossem
mil borboletas multicoloridas
que se acasalam no céu azul.
"Mas é amor", eu penso.
E as borboletinhas vão voando,
voando...
E encontram você,
pousam na sua mão delicada
e fazem sair uma lágrima
- solitária -
que evapora
e cai em mim
com a chuva de verão.
digitalizados pelo aparelho
de comunicar portátil.
E então as palavrinhas
se propagam pelo ar
fazendo as pessoas as
observarem como se fossem
mil borboletas multicoloridas
que se acasalam no céu azul.
"Mas é amor", eu penso.
E as borboletinhas vão voando,
voando...
E encontram você,
pousam na sua mão delicada
e fazem sair uma lágrima
- solitária -
que evapora
e cai em mim
com a chuva de verão.
cheiros, gostos
o amor é feito da cor
do rio
que atravessa os sonhos.
do golpe de esperança
que dá tom à vida.
do infindável que é
sentir.
e sentir.
e sentir...
do rio
que atravessa os sonhos.
do golpe de esperança
que dá tom à vida.
do infindável que é
sentir.
e sentir.
e sentir...
_In: azul

O céu era de um azul único.
As bexigas coloridas das crianças,
que brincavam e brincavam
barulhentas na praça,
voavam
deixando-o pontilhado
de novas cores.
Ao fundo havia um pássaro
- negro -
mais baixo que o céu e mais alto que as bexigas.
E toda vez que ele,
em um segundo plano, as cruzava,
via-se cada uma estourando
(como se seu bico as furasse).
E então chovia
pedaços de cores.
As bexigas coloridas das crianças,
que brincavam e brincavam
barulhentas na praça,
voavam
deixando-o pontilhado
de novas cores.
Ao fundo havia um pássaro
- negro -
mais baixo que o céu e mais alto que as bexigas.
E toda vez que ele,
em um segundo plano, as cruzava,
via-se cada uma estourando
(como se seu bico as furasse).
E então chovia
pedaços de cores.
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