A chuva caía
e o vento forte
fazia ondas no ar
- revelando-se
através dos pingos
gelados e descontrolados:
era o inverno
brigando com o verão
que não quer mais
se despedir
sábado, 28 de abril de 2007
terça-feira, 24 de abril de 2007
segunda-feira, 23 de abril de 2007
cogumelo atômico
O pingo
d'água
caindo
sobre
a poça e
misturando-se
à lama,
produzindo
simultâneas
ondas
como uma
explosão
nuclear.
(uma micro-catástrofe)
d'água
caindo
sobre
a poça e
misturando-se
à lama,
produzindo
simultâneas
ondas
como uma
explosão
nuclear.
(uma micro-catástrofe)
sábado, 7 de abril de 2007
quinta-feira, 5 de abril de 2007
tênue
que sentimento
contraditório
é esse
que bate na gente
quando se sente
o calor fazendo suar
e a emoção arrepiar?
contraditório
é esse
que bate na gente
quando se sente
o calor fazendo suar
e a emoção arrepiar?
quarta-feira, 4 de abril de 2007
Um minuto
O suor está na minhas mãos
assim como o sereno sobre os carros
em uma manhã de inverno
após uma noite fria e úmida.
Calafrios, confusões mentais
os olhos percorrendo o ambiente
de forma a não entender nada.
Somente imagens, cores.
Os significados somem,
esvai-se a essência.
Há um desespero,
um medo do não-sentir.
E eu não sinto,
por um momento infindo.
assim como o sereno sobre os carros
em uma manhã de inverno
após uma noite fria e úmida.
Calafrios, confusões mentais
os olhos percorrendo o ambiente
de forma a não entender nada.
Somente imagens, cores.
Os significados somem,
esvai-se a essência.
Há um desespero,
um medo do não-sentir.
E eu não sinto,
por um momento infindo.
à carioca
Je te vois
na padaria
da esquina
tomando pingado
e ouvindo jazz
no ême-pê-
três
enquanto
te comparo
com qualquer coisa
melhor que um
burguês
na padaria
da esquina
tomando pingado
e ouvindo jazz
no ême-pê-
três
enquanto
te comparo
com qualquer coisa
melhor que um
burguês
terça-feira, 3 de abril de 2007
paris desvairada
O chão avermelhado,
a poeira que sobe.
Gritos, serpentes
que vivem.
O caos se instaura
a flor morre
nenhuma nasce.
No asfalto não
nasce mais flor
só dor.
Rio de Janeiro
em cor -
não mais da boemia
da alegria do carnaval -
mas do vermelho
da morte.
a poeira que sobe.
Gritos, serpentes
que vivem.
O caos se instaura
a flor morre
nenhuma nasce.
No asfalto não
nasce mais flor
só dor.
Rio de Janeiro
em cor -
não mais da boemia
da alegria do carnaval -
mas do vermelho
da morte.
segunda-feira, 2 de abril de 2007
aquecimentoglobal
chorar
é tão necessário
quanto beber água.
só que o contrário:
como se a sede
de beber água
fosse a necessidade
de um preenchimento.
chorar
é a necessidade
de esvaziar um pouco...
(é para saciar a sede do mundo)
é tão necessário
quanto beber água.
só que o contrário:
como se a sede
de beber água
fosse a necessidade
de um preenchimento.
chorar
é a necessidade
de esvaziar um pouco...
(é para saciar a sede do mundo)
urbanóide
Do topo do prédio
vi a poeira cair da marquise e
voar pelos ventos
do pseudo-inverno urbano
do rio de janeiro.
Em um chuá ele levou
o pó pelos ares,
dissolvendo aquele pedaço de construção,
e fazendo-a sumir no mundo.
Então eu pude ver
- a concreta -
representação da liberdade.
vi a poeira cair da marquise e
voar pelos ventos
do pseudo-inverno urbano
do rio de janeiro.
Em um chuá ele levou
o pó pelos ares,
dissolvendo aquele pedaço de construção,
e fazendo-a sumir no mundo.
Então eu pude ver
- a concreta -
representação da liberdade.
mcbeth
Do salão principal
da ópera que eu nunca fui
eu vejo a luz sobre o palco.
E em cima dele, uma margarida
cai
direto do teto
e se esparrama no chão de madeira
empoeirado pelo tempo.
Então eu olho pra cima e não vejo nada
- percebendo que sei sonhar.
da ópera que eu nunca fui
eu vejo a luz sobre o palco.
E em cima dele, uma margarida
cai
direto do teto
e se esparrama no chão de madeira
empoeirado pelo tempo.
Então eu olho pra cima e não vejo nada
- percebendo que sei sonhar.
vice-versa
Eu te envio mil eu-te-amos
digitalizados pelo aparelho
de comunicar portátil.
E então as palavrinhas
se propagam pelo ar
fazendo as pessoas as
observarem como se fossem
mil borboletas multicoloridas
que se acasalam no céu azul.
"Mas é amor", eu penso.
E as borboletinhas vão voando,
voando...
E encontram você,
pousam na sua mão delicada
e fazem sair uma lágrima
- solitária -
que evapora
e cai em mim
com a chuva de verão.
digitalizados pelo aparelho
de comunicar portátil.
E então as palavrinhas
se propagam pelo ar
fazendo as pessoas as
observarem como se fossem
mil borboletas multicoloridas
que se acasalam no céu azul.
"Mas é amor", eu penso.
E as borboletinhas vão voando,
voando...
E encontram você,
pousam na sua mão delicada
e fazem sair uma lágrima
- solitária -
que evapora
e cai em mim
com a chuva de verão.
cheiros, gostos
o amor é feito da cor
do rio
que atravessa os sonhos.
do golpe de esperança
que dá tom à vida.
do infindável que é
sentir.
e sentir.
e sentir...
do rio
que atravessa os sonhos.
do golpe de esperança
que dá tom à vida.
do infindável que é
sentir.
e sentir.
e sentir...
_In: azul

O céu era de um azul único.
As bexigas coloridas das crianças,
que brincavam e brincavam
barulhentas na praça,
voavam
deixando-o pontilhado
de novas cores.
Ao fundo havia um pássaro
- negro -
mais baixo que o céu e mais alto que as bexigas.
E toda vez que ele,
em um segundo plano, as cruzava,
via-se cada uma estourando
(como se seu bico as furasse).
E então chovia
pedaços de cores.
As bexigas coloridas das crianças,
que brincavam e brincavam
barulhentas na praça,
voavam
deixando-o pontilhado
de novas cores.
Ao fundo havia um pássaro
- negro -
mais baixo que o céu e mais alto que as bexigas.
E toda vez que ele,
em um segundo plano, as cruzava,
via-se cada uma estourando
(como se seu bico as furasse).
E então chovia
pedaços de cores.
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