quarta-feira, 20 de junho de 2007

"Não se preocupe mais
com minha imperfeição"
(Moska)

Todos os dias, todas as manhãs,
todas as horas, tardes, noites.
Deparo-me com a imagem do espelho.
Imagem confusa, desfocada.

E quantos não a julgam, não a
querem massacrar com as suas
fôrmas, tintas, marcas, drogas.
Fazendo-a mais clara, sintética.

Eu a prefiro naturalmente opaca.
Dentro de sua naturalidade máxima.
Dentro do que é, do que vai ser.
Dentro do que sempre foi.

Mas o mundo, "vasto mundo",
deseja que todo espelho reflita
a mesma pintura. E que retrate
a mesma escultura.

E quando assim não é,
quebra-se o espelho. Rasga-se
a carne. E deixa-se o sangue
esvair pelos pulsos da distinção.

reading the red

No vasto silêncio da sala
senti o poder do eterno
olhando para aquele vermelho
tom de tomate fresco e maduro.

Senti o ácido escorrer pela garganta,
bater no estômago e quase voltar.
Senti a boca amarga, seca;
a saliva espessa debaixo da língua.

E fui tomada pelo cítrico que
se dissolve através dos anos
- muito antes de conhecê-lo,
muito antes de apreciá-lo.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

ponho em mim a voz

Não que seja um blog de poesias (eu não tenho essa pretensão). Digo que seja um lugar de experimentação imagística visando um - talvez - futuro alcance na categoria poética.

É um registro e uma divulgação da minha experiência pessoal com a linguagem. Da minha evolução com ela. Do processo criativo expandindo suas possibilidades de acordo com as minhas mudanças - tanto pessoais como em nível de leitura.

Portanto, que fique claro que não tenho a menor intenção de dizer que sou poeta. É somente um espaço para ludismo e para a coisa séria ao mesmo tempo. E sempre buscando isso com palavras, imagens e, quem sabe um dia, sons. (mas prefiro o silêncio)


Os dentes pequeninos que sorriem
[pra mim
como os de uma criança.

O olhar marrom. Curioso, aflito,
demorado.

Os braços largamente graciosos;
sem serem desproporcionais.

O ventre acolhedor, como um
travesseiro quente no inverno.

E o nariz, e as pernas, e as mãos...
que me dispersam como o tempo.
Na estante, de longe, milhões.
Milhões deles. De todas as cores.
E são uma arte somente por
estarem lá. Carregando o que têm.
Naquele sono com o que têm.
Sendo o que são.
Sentada no banco da praça
vendo os pombos sujos voarem
vendo a estátua estática
(e nada apática)
, percebi que a vida
está repleta de versos